Mortalidade de Empresas no Brasil: o Número Real (2026)

Pesquisa com dados primários de Sebrae, IBGE e GEM: quantas empresas fecham no 1º ano no Brasil, por porte, setor e estado, e o que aumenta a sobrevivência.


Foto de Gabriella Fernandes
Escrito por
Última atualização:

Quantas empresas fecham no primeiro ano no Brasil? Se você pesquisou isso antes de abrir (ou depois de abrir) um CNPJ, já deve ter esbarrado no famoso "80% fecham antes de completar um ano".

Esse número é mito. Não existe em nenhum estudo oficial.

Para responder de verdade, fomos direto aos documentos primários: o relatório técnico de sobrevivência do Sebrae (13,1 milhões de CNPJs da Receita Federal), a Demografia das Empresas do IBGE, a pesquisa GEM e, para comparação internacional, os dados do governo americano. Nada de número herdado de blog: cada estatística aqui tem a fonte original linkada na metodologia.

O que os dados mostram é mais interessante que o mito: a mortalidade real no primeiro ano vai de 4% a 20% dependendo do tipo de empresa, metade dos MEIs que fecham morre antes dos 11 meses, e o perfil de quem fecha é bem diferente do perfil de quem sobrevive, a ponto de dar para agir em cima disso.

Principais descobertas desta pesquisa

  • 16,9% dos MEIs fecham no primeiro ano, contra ~5% das micro e pequenas empresas (Sebrae, coortes 2017–2021).
  • 20,4% das empresas com funcionários nascidas em 2021 não chegaram a 2022 (IBGE), e essa taxa vem melhorando desde 2018.
  • Metade dos MEIs que fecham não completa 11 meses de vida. A "zona da morte" fica entre o 8º e o 12º mês.
  • Tirando a pandemia, o motivo nº 1 de fechamento é financeiro: 48,3% citam negócio não lucrativo ou falta de recursos (GEM 2023).
  • Entre quem fechou, 59% estavam desempregados ao abrir o negócio. Entre quem sobreviveu, 41% (Sebrae).
  • No primeiro ano, empreender no Brasil e nos EUA tem risco parecido (~20% de mortalidade entre empregadoras). A diferença aparece nos 5 anos.

Dados verificados nas fontes primárias em 31/08/2026. Universos e métodos de cada fonte explicados na seção de metodologia.

Quantas empresas fecham no primeiro ano no Brasil?

Resposta curta: entre 4% e 20%, dependendo do tipo de empresa, e nunca 80%.

O número muda porque "empresa" não é uma coisa só. O Sebrae acompanha todos os CNPJs mercantis da Receita Federal, incluindo MEI. O IBGE conta apenas empresas que têm funcionário registrado. São universos diferentes, e os dois estão certos.

No estudo mais recente do Sebrae, que seguiu 13,1 milhões de empresas abertas entre 2017 e 2021, a mortalidade no primeiro ano ficou assim: 16,9% entre os MEIs, 5,3% nas microempresas, 5,2% nas pequenas e 3,7% nas médias e grandes.

O MEI fecha mais que o triplo de uma microempresa. E quanto maior o porte, menor o risco: médias e grandes empresas perdem só 3,7% no primeiro ano.

Já no recorte do IBGE, só empresas empregadoras, a régua é mais dura. Quem tem folha de pagamento e deixa de ter já conta como morte. E mesmo assim a notícia é boa: a taxa vem caindo ano após ano.

Mortalidade no 1º ano das empresas empregadoras, por ano de nascimento (IBGE)
Ano de nascimento 2017 2018 2019 2020 2021
Fecharam no 1º ano 23,8% 25,6% 22,5% 22,2% 20,4%

Uma em cada cinco empresas com funcionários não completa o primeiro ano. Era uma em cada quatro na coorte de 2018.

Por que Sebrae, IBGE e GEM mostram números diferentes (e os três estão certos)

Essa é a parte que quase nenhum texto sobre o assunto explica: é onde a maioria dos números errados nasce, misturando fontes que não se comparam.

Tabela 1: Mortalidade no 1º ano segundo cada fonte oficial (apuração: ago/2026)
Fonte O que conta como "empresa" O que conta como "morte" Mortalidade no 1º ano
Sebrae / Receita Federal (2017–2021) Todo CNPJ mercantil, incluindo MEI Baixa do CNPJ 16,9% (MEI) · 5,3% (ME) · 5,2% (EPP) · 3,7% (médias/grandes)
IBGE: Demografia das Empresas 2022 Só empresas com funcionário assalariado Deixar de existir como empregadora 20,4% (nascidas em 2021)
GEM Brasil 2023 Pessoas com negócio, formal ou informal Dono declara ter encerrado nos últimos 12 meses 8,0% da população adulta/ano

O detalhe é que a régua do Sebrae tende a subestimar a mortalidade real: um CNPJ pode ficar "ativo" anos depois de o negócio ter parado de funcionar, porque baixar dá trabalho. A do IBGE tende ao contrário: uma empresa que demite o único funcionário e segue operando sozinha sai da conta como se tivesse morrido.

A realidade está entre as duas. E o GEM completa o quadro com o que a Receita não enxerga: só 38,6% dos empreendedores iniciais no Brasil têm CNPJ. Muito negócio nasce e morre sem nunca aparecer em estatística de registro.

É verdade que 80% das empresas fecham no primeiro ano?

Não. E dá para cravar isso com tranquilidade.

Procuramos esse número em todos os estudos oficiais disponíveis: relatórios de sobrevivência do Sebrae desde 2013, todas as edições da Demografia das Empresas do IBGE e a série do GEM desde 2017. O pior número que existe em fonte oficial é 25,6% de mortalidade no primeiro ano: empresas empregadoras nascidas em 2018, no IBGE. Um terço do mito.

De onde veio o 80%, então? Provavelmente de uma distorção em cascata: alguém confundiu a mortalidade em 5 anos de recortes antigos com a do primeiro ano, um blog copiou do outro, e o número virou "verdade" de tanto ser repetido. Nenhum dos textos que usam o 80% aponta a fonte primária, porque ela não existe.

Se você abriu ou vai abrir uma empresa, a leitura correta é outra: o primeiro ano mata entre 1 em cada 20 e 1 em cada 5 empresas, dependendo do seu porte. O jogo é difícil, mas não é roleta-russa.

Com quantos meses uma empresa fecha? A curva da morte mês a mês

Aqui está o dado mais útil desta pesquisa inteira, e um que praticamente ninguém publica.

O Sebrae calculou a mediana de vida das empresas que fecharam entre 2017 e 2022. Resultado: metade dos MEIs que fecharam não completou 11 meses. A mediana exata é 10 meses e 26 dias. Para o conjunto de todos os portes, 11 meses e 31 dias, praticamente um ano cravado.

Em outras palavras: se o seu negócio vai quebrar, a probabilidade é que isso aconteça entre o 8º e o 14º mês. É quando o capital inicial acaba, o movimento que não veio cobra a conta e o dono ainda não construiu reserva.

Os números ano a ano contam a mesma história por outro ângulo: a queda mais violenta acontece entre a abertura e o segundo ano, em todos os portes. Depois disso o ritmo de fechamento desacelera: quem passa dos dois primeiros anos já enfrentou o pior trecho.

Tabela 2: Taxa de sobrevivência por porte (Sebrae, Kaplan-Meier, coortes 2017–2021)
Porte 1 ano 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos Mediana de vida dos que fecharam
MEI83,1%74,3%67,6%62,3%57,7%10 meses e 26 dias
Microempresa (ME)94,7%88,8%83,7%78,9%74,3%1 ano e 7 meses
Pequena (EPP)94,8%89,8%85,5%81,8%78,6%1 ano e 5 meses
Médias e grandes96,3%92,5%89,1%86,2%83,4%1 ano e 7 meses

Guarde o número do seu porte. Mais abaixo, na seção de o que aumenta a sobrevivência, esse "prazo de validade do caixa inicial" vira o critério prático mais importante.

Qual porte de empresa fecha mais: MEI, ME ou EPP?

O MEI, com folga. O dado estatístico mais robusto do estudo do Sebrae confirma que porte é o fator de risco nº 1.

Na regressão de Cox (o modelo que isola o efeito de cada variável), uma microempresa tem 51% mais chance de fechar que uma média/grande empresa comparável. Uma EPP, 33% mais. O IBGE mostra o mesmo padrão pelo número de funcionários: quem nasce com 1 a 9 empregados sobrevive 75,1% no primeiro ano. Com 50 ou mais, 92%.

Antes de concluir que "MEI é ruim", duas ressalvas honestas:

  • Abrir e fechar MEI é fácil e barato. Parte da mortalidade é só burocracia de baixa rápida, não drama empresarial. O próprio Sebrae faz essa ressalva no relatório.
  • O MEI concentra quem abre por necessidade. Como você vai ver no perfil de quem fecha, o problema não é o registro MEI em si: é abrir sem preparo, sem reserva e sem experiência no ramo.

O recado dos dados não é "não seja MEI". É: se você é MEI, está no grupo que mais precisa das práticas de sobrevivência (planejamento, controle de caixa e crédito) porque a margem de erro do seu grupo é três vezes menor.

Qual setor tem mais empresas fechadas no primeiro ano?

Depende do porte, e aqui mora uma das descobertas mais contraintuitivas da pesquisa.

Mortalidade por setor no 1º ano e em 5 anos (Sebrae, coortes 2017–2021)
Setor MEI (1º ano) MEI (5 anos) Demais portes (1º ano) Demais portes (5 anos)
Agropecuária21,5%48,1%4,5%15,1%
Serviços17,7%43,7%5,1%24,8%
Comércio17,0%43,4%5,7%25,6%
Indústria14,7%38,6%4,0%19,4%
Construção civil13,3%34,0%3,6%19,9%

Entre MEIs, a agropecuária lidera a mortalidade no primeiro ano (21,5%), e quem fecha nela morre cedo: mediana de 7 meses e 19 dias de vida, a menor de todo o estudo. Depois vêm serviços e comércio, os setores de entrada mais fácil, e concorrência mais brutal.

Entre empresas maiores, comércio é o setor mais perigoso (5,7% no primeiro ano e 25,6% em cinco), com 24% mais risco que a agropecuária no modelo de Cox.

E tem um contraste que merece atenção: no IBGE, que só olha empresas com funcionários, a construção é disparado o pior setor: 33,9% fecham no primeiro ano. No Sebrae, a construção é um dos setores mais seguros. Contradição? Não: a construção empregadora vive de obra em obra, e empresas são abertas e encerradas por projeto. O mesmo setor, medido por réguas diferentes, conta duas histórias, as duas verdadeiras.

Em qual estado as empresas mais fecham?

O Distrito Federal é o lugar mais difícil do Brasil para uma empresa sobreviver. O Piauí, por incrível que pareça, é o mais fácil.

Sobrevivência em 5 anos por estado, todos os portes (Sebrae, coortes 2017–2021)
Posição Estado Sobrevivência em 5 anos
Melhor do paísPiauí68,0%
2º melhorAmapá67,5%
3º melhorAmazonas e Maranhão67,3%
Média Brasil62,8%
3º piorMinas Gerais60,2%
2º piorTocantins60,1%
Pior do paísDistrito Federal58,2%

No modelo de risco do Sebrae, uma empresa no DF tem 90% mais chance de fechar que uma empresa equivalente no Acre. Pernambuco (+85%), Minas Gerais (+76%) e Rio Grande do Sul (+75%) vêm logo atrás.

O padrão regional também surpreende: a região Norte tem a maior sobrevivência em 5 anos (64,7%), e Sul e Centro-Oeste, as menores. Mercados mais competitivos e com mais oferta de emprego formal (que puxa o dono de volta para a CLT) desligam empresas mais rápido que mercados menores e menos disputados.

Por que as empresas fecham no Brasil? Os motivos citados por quem fechou

Estatística de registro diz quantas fecham. Para saber por que, é preciso perguntar a quem fechou, e existem duas pesquisas oficiais que fizeram exatamente isso.

Na pesquisa de campo do Sebrae (3.047 empresas entrevistadas, 472 delas fechadas), cada dono citou até três motivos:

Os 10 motivos mais citados para o fechamento (Sebrae, resposta espontânea, % dos que fecharam)
# Motivo citado % de menção
1Pandemia/Covid-1941%
2Faltou dinheiro/financiamento22%
3Falta de clientes20%
4Conseguiu uma opção melhor13%
5Problemas pessoais11%
6Burocracia8%
7Dificuldade de contratar mão de obra7%
8Custos, impostos, taxas e aluguel7%
9Localização ruim6%
10Faltou mercado6%

A pandemia domina o topo porque a coleta foi em dezembro/2020 e janeiro/2021, no meio da crise. O que interessa para hoje é o que vem depois dela: dinheiro (22%) e clientes (20%). Burocracia e impostos, que dominam o discurso público, aparecem com 8% e 7%: reclamação de todo mundo, causa de morte de poucos.

O GEM confirma essa leitura com a série mais recente. Em 2023, com a pandemia já distante, 48,3% dos fechamentos tiveram motivo financeiro ("negócio não lucrativo ou dificuldade para obter recursos"), quase o dobro do segundo colocado:

Tabela 3: Principais razões da descontinuidade de negócios no Brasil (GEM, % dos que encerraram)
Razão citada 2020 2021 2022 2023
Negócio não lucrativo ou dificuldade para obter recursos26,1%24,4%35,2%48,3%
Questões relacionadas à pandemia41,6%47,4%26,6%14,3%
Questões pessoais ou familiares15,5%13,5%23,4%19,2%
Outra oportunidade de trabalho ou negócio5,8%4,9%4,6%9,4%
Outras razões11,0%9,7%10,2%8,7%

A série histórica do GEM mostra o tamanho do estrago da pandemia: a taxa de descontinuidade quase triplicou entre 2019 e 2020 (de 4,8% para 9,4% da população adulta), ficou nesse patamar até 2022 (9,8%) e em 2023, mesmo recuando para 8,0%, ainda estava 3 pontos acima do nível pré-crise. O Brasil tem hoje a 6ª maior taxa de descontinuidade entre as economias pesquisadas pelo GEM.

Um dado que quase ninguém cita: perguntados sobre o que teria evitado o fechamento, os donos responderam crédito mais facilitado (34%), mais clientes (25%) e menos impostos (21%). Só 18% reconheceram "falta de planejamento do negócio", mas os dados de perfil da próxima seção mostram que ele pesa bem mais do que os donos admitem.

Qual o perfil de quem fecha a empresa no primeiro ano?

Essa é a seção mais valiosa para quem está começando, porque o perfil de quem fecha é mensurável, e quase tudo nele pode ser mudado antes de abrir.

A pesquisa do Sebrae comparou, item a item, empresas que sobreviveram com empresas que fecharam:

Perfil comparado: empresas em atividade × empresas fechadas (Sebrae, pesquisa de campo)
Indicador Empresa em atividade Empresa fechada
Estava desempregado até 3 meses antes de abrir41%59%
Tinha experiência ou conhecimento no ramo73%67%
Abriu "por oportunidade"58%49%
Fez capacitação em gestão43%35%
Tentou empréstimo bancário30%15%
Conseguiu o empréstimo25%7%
Acompanhava receitas e despesas com rigor72%52%

Leia essa comparação como um raio-X do risco. Quem fechou tinha mais desemprego prévio (59% contra 41%), menos experiência no ramo, abriu mais por necessidade do que por oportunidade, se capacitou menos e, no contraste mais gritante, conseguiu 3,5 vezes menos crédito: só 7% dos que fecharam obtiveram empréstimo, contra 25% dos que sobreviveram.

O planejamento completa o quadro. Entre todos os entrevistados, 17% admitiram não ter feito planejamento nenhum antes de abrir, e 59% planejaram por no máximo seis meses. Quase metade (44%) abriu sem estimar quantos clientes teria.

Nenhum desses fatores é sentença. São probabilidades, e probabilidade se administra. É exatamente o que a última seção desta pesquisa organiza.

Fechar empresa no Brasil é mais comum do que nos Estados Unidos?

No primeiro ano, não. A diferença aparece depois, e é menor do que o senso comum imagina.

Comparando o que é comparável (empresas com funcionários dos dois lados): 79,6% das empregadoras brasileiras nascidas em 2021 completaram o primeiro ano. Nos EUA, a média histórica do Bureau of Labor Statistics fica na mesma casa: a coorte de referência de 1994 sobreviveu exatamente 79,6% no primeiro ano.

Em cinco anos o jogo muda: 49,2% das americanas sobrevivem (média 1994–2021, SBA) contra 37,3% das brasileiras (coorte 2017, IBGE). Doze pontos de diferença: relevantes, mas longe do abismo que o discurso do "país onde empresa não vinga" sugere. E vale lembrar que a coorte brasileira de 2017 atravessou uma pandemia no meio do caminho.

Para startups de venture capital o funil é outro: o CB Insights analisou 431 startups americanas que fecharam desde 2023 e encontrou falta de capital em 70% dos casos e falta de encaixe com o mercado em 43%. Mesmo com investidor, morre-se do mesmo mal do MEI brasileiro: o dinheiro acaba antes de o cliente aparecer.

O que aumenta a chance da sua empresa passar do primeiro ano? 7 ações com respaldo nos dados

Nada aqui é conselho genérico de coach. Cada item abaixo sai diretamente de um número desta pesquisa: a diferença medida entre quem sobreviveu e quem fechou.

1. Planeje por mais de 6 meses antes de abrir. 17% de quem abriu não planejou nada. 59% planejaram menos de seis meses. Se você ainda está antes da abertura, este é o maior retorno por hora investida que existe, e o nosso guia prático de plano de negócios cobre o caminho inteiro.

2. Estime a clientela antes, não depois. 44% dos que abriram não levantaram quantos clientes teriam nem seus hábitos de consumo. "Falta de clientes" é o 3º motivo de fechamento (20%). Validar demanda custa semanas. Descobrir a falta dela custa a empresa.

3. Monte caixa para atravessar o mês 8 ao 14. A mediana de vida de quem fecha é de 11 a 12 meses: o caixa inicial acaba justamente aí. Reserve o suficiente para operar esse trecho sem depender do faturamento ideal. A calculadora de juros compostos ajuda a dimensionar quanto guardar por mês para chegar lá com reserva.

4. Controle receitas e despesas com rigor desde o dia 1. É o hábito de gestão com maior distância entre sobreviventes (72%) e fechadas (52%). Se você mistura conta da empresa com conta pessoal, comece separando o seu salário com a calculadora de pró-labore. Sendo MEI ou ME, um serviço de contabilidade online para MEI resolve o resto do controle por menos do que custa um erro fiscal.

5. Busque crédito antes do desespero. Sobreviventes tentaram empréstimo 2 vezes mais (30% contra 15%) e conseguiram 3,5 vezes mais (25% contra 7%). Crédito se consegue com histórico organizado e antecedência: banco nenhum empresta para quem já está afundando. Não por acaso, "crédito mais facilitado" foi o auxílio nº 1 citado por quem fechou (34%).

6. Reduza o custo de cada venda. Motivo financeiro é a causa nº 1 de morte (48,3% no GEM 2023). Margem se defende nos detalhes: taxa de maquininha, tarifa bancária, custo de recebimento. Nosso comparativo de melhores maquininhas de cartão mostra quanto cada ponto percentual de taxa custa no seu faturamento.

7. Capacite-se em gestão, de graça se possível. 43% dos sobreviventes fizeram algum curso de gestão contra 35% dos que fecharam. O Sebrae mantém catálogo de cursos gratuitos. A diferença de 8 pontos percentuais na taxa de sobrevivência é possivelmente o melhor retorno de um investimento de R$ 0.

Se for para levar uma única frase desta pesquisa: empresa no Brasil não morre de imposto, morre de caixa: entre o 8º e o 14º mês, pelas mãos de um dono que abriu sem validar a demanda e sem reserva. Os três problemas se resolvem antes de abrir a porta.

Metodologia: como esta pesquisa foi feita

Todos os números desta página foram extraídos diretamente dos documentos originais das instituições, em apuração feita em 31 de agosto de 2026. Nenhum dado foi herdado de blog, release de imprensa ou artigo secundário. Quando duas fontes divergem, as duas aparecem, com a diferença de universo explicada.

Fontes primárias utilizadas:

Limites que você deve conhecer: os universos das fontes não são comparáveis entre si (a Tabela 1 explica cada régua). Os recortes por setor e estado do IBGE referem-se à coorte de 2017, a mais recente com acompanhamento completo de 5 anos. E o dado americano mais recente de 1º ano circula em fontes secundárias, por isso usamos apenas os números confirmados em documento oficial do BLS e da SBA.

Como citar esta pesquisa

NEGÓCIO CERTO. Quantas empresas fecham no primeiro ano no Brasil? Pesquisa com dados primários de Sebrae, IBGE e GEM. 2026. Disponível em: negociocerto.org/mortalidade-empresas-primeiro-ano/. Ao reutilizar os dados desta compilação, cite esta página e as fontes primárias correspondentes.

Perguntas Frequentes

Quantas empresas fecham no primeiro ano no Brasil?

Depende do que se mede. Entre os MEIs, 16,9% fecham no primeiro ano. Entre micro e pequenas empresas, cerca de 5% (Sebrae, coortes 2017–2021). Entre empresas com funcionários, 20,4% das nascidas em 2021 não chegaram a 2022 (IBGE). O famoso número de 80% não existe em nenhuma fonte oficial.

Quantas empresas fecham em até 5 anos no Brasil?

Considerando todos os portes, 37,2% dos CNPJs abertos entre 2017 e 2021 fecharam em até 5 anos (sobrevivência de 62,8%, Sebrae). No recorte do IBGE, que só conta empresas com funcionários, 62,7% das nascidas em 2017 fecharam até 2022, cerca de 6 em cada 10.

É verdade que 80% das empresas fecham no primeiro ano?

Não. Esse número circula em blogs há anos, mas nenhum estudo do Sebrae, do IBGE ou do GEM chega perto disso. O pior recorte oficial é o de empresas empregadoras no IBGE: 25,6% de mortalidade no primeiro ano (nascidas em 2018), um terço do mito.

Qual o principal motivo de fechamento de empresas no Brasil?

Fora o período da pandemia, o motivo número 1 é financeiro. No GEM 2023, 48,3% dos que fecharam citaram negócio não lucrativo ou dificuldade de obter recursos. Na pesquisa de campo do Sebrae, falta de dinheiro/financiamento (22%) e falta de clientes (20%) lideram entre os motivos não ligados à Covid.

Qual setor tem mais empresas fechadas no primeiro ano?

Entre MEIs, a agropecuária tem a maior mortalidade no primeiro ano (21,5%), seguida de serviços (17,7%) e comércio (17%). Entre empresas com funcionários (IBGE), a construção é o pior setor: 33,9% fecham no primeiro ano e 73,8% em cinco anos.

MEI fecha mais que empresa normal?

Sim, e a distância é grande: 16,9% dos MEIs fecham no primeiro ano contra cerca de 5% das MEs e EPPs. Em 5 anos, 42,3% dos MEIs fecham contra 25,7% das MEs. Parte disso é a facilidade de abrir e baixar um MEI. Parte é o perfil de quem abre por necessidade, com menos preparo e menos crédito.